Hoje vou começar o texto com uma pergunta: Porque o ser humano é tão intolerante com os erros dos outros e tão paciente com os próprios erros? Digo “ser humano” porque também me incluo nessa... Mas o que está me incomodando hoje e quero dividir com vocês é a questão de um pequeno erro cometido simplesmente parecer muito maior que todas as outras coisas que fazemos certas.
Atualmente estamos vivendo uma fase de transição global e, consequentemente, de constantes mudanças individuais, o que vem gerando cada vez mais insatisfações em todos os aspectos, seja na carreira profissional ou na vida pessoal, estamos sempre fazendo e ouvindo reclamações, há sempre alguma coisa nos incomodando, tanto no outro como em nós mesmos.
Porém, nem sempre admitimos ou revelamos aquilo que nos incomoda em nós, porque reparar no erro do outro é muito mais fácil. Julgar, condenar e criticar é mais simples que analisar e tentar entender o outro. Reparar no erro do outro é muito mais cômodo que fazer uma auto-análise, reconhecer os próprios erros e tentar mudar a si mesmo.
Sabemos que mudar não é fácil... Que toda mudança gera medo, receio das consequências e de enfrentar o novo. Por isso, para mudar é preciso coragem. Mas como diz Cortella, “coragem não é ausência de medo, coragem é a capacidade de enfrentar o medo”. E para complementar esta frase usarei outra citação do mesmo autor “Medo é um estado de alerta. Pânico é a incapacidade de ação”, ou seja, o medo não deve nos impedir de mudar, deve apenas nos deixar atentos aos riscos e nos ajudar a preparar melhor as nossas estratégias de mudança antes que entremos em pânico, o que só podemos evitar se tivermos coragem de mudar antes que isso aconteça.
Precisamos ter coragem de admitir os nossos próprios erros, enfrentar os nossos medos e mudar, mudar aquilo que nos incomoda primeiro, antes de criticar aquilo que nos incomoda no outro. Pois só quando nos tornarmos tolerantes com os nossos próprios defeitos estaremos prontos para aceitar o outro como ele é, com seus defeitos e suas virtudes.
Ninguém é perfeito, vivemos em um mundo de provas e expiações, todo ser humano tem defeitos e qualidades, mas, infelizmente, mesmo que as nossas virtudes sejam perceptíveis, os nossos erros sempre estarão em maior evidência aos olhos do outro. Não é possível agradar a todos, nem mesmo Jesus Cristo, o único homem perfeito que passou pela Terra, conseguiu esta proeza, foi julgado, condenado e crucificado por isso.
E nós somos “crucificados” todos os dias pela sociedade, muitas vezes injustamente... Precisamos aprender a viver com o peso desta cruz, mas sem sofrer com isso. Precisamos aprender a ser mais tolerantes, ou seja, aguentar em silêncio, sem reclamar, pois, na maioria das vezes, as pessoas não toleram ouvir reclamações e, muito menos, a verdade.
Precisamos encontrar um caminho para convivermos em paz. E a paz só é possível com tolerância! Não podemos mudar o mundo sozinhos, mas podemos mudar a nós mesmos. O mundo precisa de paz!
